sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Plano Cautelar, Tribunal Constitucional Alemão & o nosso futuro a curto prazo.

Em Julho de 2012, Mário Draghi, declarou que o banco iria fazer o «que fosse necessário» para salvar o EURO.

Implícito nas palavras do Presidente do BCE, estava o Lançamento dos OMTs ( Outright Monetary Transactions ) em português TMAs (Transacções Monetárias Absolutas), que na prática significam, emitir moeda para comprar divida soberana dos estados que integram a União Monetária.

Esta decisão, foi a primeira, não unânime tomada pelo BCE,  o Governador do Banco Central Alemão (Bundesbank-BUBA),  Jens Weidmann, que votou contra, por entender que o BCE está a ir alem das suas atribuições e competências no âmbito dos acordos existentes que suportam a  União Monetária Europeia, e na sua qualidade de representante do maior accionista do BCE a Alemanha,  entendeu em conjunto com o ministro das finanças  do governo de Angela Merkel, o septuagenário Wolfgang  Schauble, interpor uma acção no Tribunal Constitucional Alemão (TCA), contra esta medida do BCE que consideram avulsa & extemporânea e que segundo eles pode colocar em causa a estabilidade e o valor da moeda única europeia.

Na sequência o TCA, recentemente entendeu remeter para o Tribunal Europeu de Justiça (TEJ) para que este emita a decisão final sobre se à luz dos tratados assinados e assumidos pelas 18 nações que compõem actualmente o EURO, a decisão de Draghi tem enquadramento legal(?).

 Dificilmente o TEJ decidirá contra o BCE, até porque quer o poder politico quer o poder económico europeu, assentam hoje quase exclusivamente na estabilidade da moeda única e na capacidade que esta tem vindo a demonstrar de funcionar cada vez mais como moeda de reserva de valor mundial, tornando os investimentos na Europa um valor seguro para os investidores mundiais.

No entanto a existência de um plano cautelar para apoiar Portugal após dia 17 de Maio, depende quase exclusivamente desta decisão, uma vez que se a mesma não for favorável ao BCE, este não poderá sequer criar um plano cautelar de apoio, pois não poderá contar com único instrumento atualmente ao seu dispor para o efeito, os OMT/TMA.

Portugal não está em condições de poder prescindir deste Back-up, pois não conseguimos nos últimos 3 anos atingir sequer um saldo primário positivo, sinal mínimo necessário para os mercados considerarem que os nossos governos têm um efetivo controlo sobre as nossas contas públicas.

De facto os nossos governos não têm o necessário controlo sobre as nossas contas públicas, quem detém esse poder é o Tribunal Constitucional, que não é um órgão eleito, nem executivo. Enquanto assim for os graves problemas das nossas contas públicas irão perdurar, o IRS não irá baixar e a carga fiscal irá continuar a canibalizar a economia, num processo de gradual destruição e decadência autofágica nacional.

Infelizmente para todos nós, a mudança de governo não alterará nada do actual panorama, o próximo governo eleito, será confrontado com a mesma situação que o actual e se os dois partidos mais votados não conseguirem chegar a um acordo constituindo um governo de salvação nacional, no sentido de limitar os estragos causados pelo TC nas contas públicas pós 2015, que DEUS tenha piedade de nós. Aos não crentes, resta-nos emigrar.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Democracia Participativa - Os Equívocos de liderança.

Sabendo que a esperança média de vida de um cidadão português ronda os 78 anos de idade, e que as nossa pirâmide etária concentra mais população acima dos 30 anos de idade do que abaixo dada a quebra continua da taxa de natalidade, não compensada pela imigração;

Considerando que todo os que viveram até os 10 anos durante o Estado Novo não tinham grande consciência da época em que viviam, teremos que todas as pessoas com menos de 50 anos, não viveram ou não foram decisivamente influenciadas pelos valores da época.

Assumindo estas duas condições simplistas podemos concluir com algum grau de razoabilidade que atualmente +2/3 da população viva, já não viveu ou não sofreu grande influencia dos valores do anterior regime.

Em 1974, cerca de 3/4 das pessoas não eram nascidas ou não tinham sido influenciadas de forma significativa pela situação vivida durante a primeira republica. Nesse tempo a nossa pirâmide etária era bem mais larga junto à base, do que é hoje, apesar da emigração dos anos 60.

É portanto provável/admissível que daqui a 10 anos, a parte da população que já não viveu sob a égide do Estado Novo se assemelhe muito a esses 3/4 de há quarenta anos.

Se pensarmos em termos de Democracia Representativa vs Democracia Participativa, facilmente perceberemos que atualmente entre 1/3 e metade da população ainda não está preparada para aceitar novas formas de Democracia, porque a única que conhecem é a que sempre tivemos.

Pensar que se pode constituir um Partido com um diferente grau de abertura à participação, integrando nomeadamente novas plataformas informáticas que o permitem, sem ter em consideração os aspetos demográficos acima descritos, entre outros, como a cultura democrática ou num nível mais pragmático as recentemente adquiridas e ainda frágeis competências ao nível informático, é esquecer que nem todos estarão preparados para o integrar, por conseguinte, há que aceitar que como em todas as mudanças haverão sempre os que terão de ir à frente.

Porem liderar, já não é comandar ou impor regras, liderar é ir olhando para trás alumiando o caminho de quem vem atrás, evitando que uns se percam e outros se afastem, ajudando outros a perceber onde nos leva o caminho. Sem esse cuidado constante, sem essa diligência inata, qualquer iniciativa neste âmbito acabará por soçobrar às ambições pessoais dos que o pensam liderar.

Promover participação é muito mais do estar disponível para ela, é estar disponível para os outros.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um dos lugares comuns na nossa sociedade é usarem-se os comportamento e/ou as situações excepcionais somo se fossem estas a regra e a partir daí, discorrer teorias e explicações porque tudo está mal e nada funciona.

Questionadas as pessoas que o fazem por hábito e de forma sistemática, rapidamente são confrontadas com o tamanho do seu equivoco, caindo pela base todas as ideias que construíram sobre ele.

A primeira reacção é a de quem ficou sem rede, e agora se vê confrontado/a com a necessidade de «pensar tudo de novo».

Uma outra reacção menos comum e inteligente é persistir no erro defendendo com unhas e dentes o que não é defensável pela lógica seja ela qual for.

Enganados podemos sempre estar todos em qualquer momento, a diferença entre nós, está na forma como reagimos quando nos demonstram de forma inequívoca o nosso erro.

Obviamente aqueles que «pensam pela sua própria cabeça» e aplicam o método cientifico, colocando constantemente em causa as suas próprias convicções, são os que mais facilmente aceitam reconhecer que poderiam não estar correctos mas são também sempre os mais difíceis de convencer, porque quando outrem põe em causa as suas ideias rapidamente descobre que eles também já o fizeram.

Por favor, pense pela sua cabeça e rejeite IDEIAS FEITAS mesmo as que lhe pareçam mais LÓGICAS & ou EVIDENTES.

Pergunte, pergunte sempre, não tenha medo de passar por ignorante, porque ignorantes somos todos, burros são só os que têm medo de passar por ignorantes e por isso não perguntam.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Velho Umbunzeiro e os seus novos rebentos, uma história de pessoas

"Era uma aldeia muito pequena.
Tão pequena que não figurava nos grandes mapas nacionais.
Tão pequena que tinha apenas uma praça diminuta e, na sua única praça, uma única árvore.
Mas as pessoas adoravam a sua aldeia, amavam a sua praça e a sua árvore: um enorme umbunzeiro que se encontrava precisamente no centro da praça. E também no centro da vida quotidiana dos habitantes da aldeia: todas as tardes por volta das sete, depois do trabalho, os homens e as mulheres da aldeia encontravam-se na praça, recém-lavados, penteados e vestidos, para dar duas voltinhas ao umbuzeiro.

Durante anos, os jovens, os pais dos jovens e os pais dos pais dos jovens cruzavam-se diariamente à sombra do umbunzeiro.
Ali se haviam fechado negócios importantes, se haviam tomado decisões relativas ao município, celebrado casamentos e recordado os mortos durante anos e anos.
Um dia, começou a acontecer uma coisa diferente e maravilhosa: numa raiz lateral, saído do nada, brotou um raminho verde com duas únicas folhas viradas para o sol.
Era um rebento. O primeiro rebento que o umbunzeiro dera, desde sempre.
Depois da comoção, criou-se um comité para organizar uma festa em honra daquele acontecimento.
Para espanto dos organizadores, nem toda a gente da aldeia acorreu à celebração. Havia quem achasse que o rebento traria complicações.

A verdade é que, uns dias depois de ter aparecido o primeiro rebento, começou a brotar outro. E, no espaço de um mês, mais de uma vintena de raminhos verdes tinham assomado das velhas raízes do umbunzeiro.
A alegria de uns e a indiferença de outros iam durar pouco.
O alerta foi dado pelo guarda da praça. Algo se passava com o velho umbunzeiro. As suas folhas estavam mais amarelas do que nunca, estavam frágeis e caíam facilmente. A cortiça do tronco, que outrora era carnuda e macia, ficara ressequida e quebradiça. O guardião fez o seu diagnóstico.
- O umbunzeiro está doente.
E talvez morresse.

Nessa tarde, durante o passeio vespertino, estalou a discussão. Alguns começaram a dizer que a culpa era dos rebentos. Os seus argumentos eram concretos: tudo estava bem antes de eles aparecerem.
Os defensores dos rebentos diziam que uma coisa não tinha nada a ver com a outra e que os rebentos asseguravam o futuro, se acontecesse alguma coisa ao umbunzeiro.
Expostas as diferentes opiniões, formaram-se dois grupos claramente antagónicos. Um que defendia o velho umbunzeiro, outro que defendia os novos rebentos.
Sem saber como, a discussão tornou-se cada vez mais acalorada e os dois grupos distanciaram-se cada vez mais. Chegada a noite, decidiram tratar o assunto na reunião municipal do dia seguinte, para acalmar os ânimos.

Mas os ânimos não se acalmaram. No dia seguinte, os Defensores do Umbunzeiro, como começaram a apelidar-se, disseram que a solução do problema era voltar atrás. Os rebentos estavam a tirar as forças ao velho umbunzeiro e a actuar como parasitas da árvore. Tinham, portanto, de destruir os rebentos.

Os Defensores da Vida, como se havia baptizado o segundo grupo, escutaram alvoraçados, porque também eles se tinham reunido para encontrar uma solução. Tinham de arrancar o velho umbunzeiro, que na verdade já cumprira o seu ciclo. A única coisa que estava a fazer era tirar sol e água aos recém-nascidos. Além disso era inútil defender o umbunzeiro porque, de qualquer forma, a velha árvore já estava praticamente morta.
A discussão terminou em briga e a briga em escaramuça, onde não faltaram gritos, insultos e pontapés. A polícia pôs fim à contenda, mandando toda a gente para casa.

Os Defensores do Umbunzeiro reuniram-se nessa noite e decidiram que a situação era desesperada, já que os seus estúpidos adversários não iam ouvir os seus argumentos e, como tal, decidiram agir. Armados com tesouras de podar, paus e picaretas, decidiram atacar: destruídos os rebentos, a situação a negociar seria diferente.
Chegaram à praça todos contentes.

Ao aproximarem-se da árvore, viram que um grupo de pessoas estava a empilhar toros à volta do umbunzeiro. Eram os Defensores da Vida, que planeavam lançar-lhe fogo.
Ambos os grupos de defensores embrenharam-se noutra discussão, mas desta vez as suas mãos estavam armadas de ódio, rancor, vontade de destruir.
Vários rebentos foram pisados e danificados durante a escaramuça.
O velho umbunzeiro também sofreu danos graves no tronco e nos ramos. Mais de vinte defensores de ambos os lados acabaram a noite internados no hospital, com feridas de maior ou menos gravidade.
Na manhã seguinte, a praça tinha um aspecto completamente diferente. Os Defensores do Umbunzeiro tinham levantado uma cerca à volta da árvore e guardavam-na permanentemente com quatro pessoas armadas.

Os Defensores da Vida, por seu lado, tinham cavado um fosso e instalado uma vedação de arame farpado à volta dos rebentos que restavam, a fim de repelir qualquer ataque. (...)
A gritaria era terrível e ninguém se conseguia fazer ouvir.
De repente, abriu-se a porta e, pelo corredor, seguido pelo olhar de ambas as partes, avançou o velho, apoiado na sua bengala.

O Velho devia ter mais de cem anos, fundara aquela aldeia na sua juventude, planificara as suas ruas, sorteara os lotes de terreno e, claro está, plantara a árvore.
O Velho era respeitado por todos e a sua palavra conservava a lucidez que o acompanhara durante toda a sua vida.

O ancião afastou os braços que se ofereciam para o ajudar e, com dificuldade, subiu ao palco e falou.
-Seus imbecis! - disse. . Autoproclamam-se Defensores do Umbunzeiro, Defensores da Vida... Defensores? Vocês são incapazes de defender seja o que for, porque a vossa única intenção é prejudicar todos aqueles que pensaram de maneira diferente da vossa.
Não se apercebem do vosso erro e tanto uns como os outros estão equivocados.
O umbunzeiro não é uma pedra. É um ser vivo e, como tal, tem um ciclo de vida. Este ciclo inclui dar vida aos que continuarão a sua missão. Isto é: inclui preparar os rebentos para fazer deles novos umbunzeiros.

Mas os rebentos, seus estúpidos, ainda mal são umbunzeiros. Por isso, não poderiam viver se o umbunzeiro morresse e a vida do umbunzeiro não teria sentido se não fosse capaz  de transformar-se numa vida nova.
Preparem-se, Defensores da Vida. Treinem e armem-se. Em breve chegará a hora de deitar fogo à casa dos vossos pais com eles lá dentro. Porque em breve envelhecerão e começarão a estorvar o vosso caminho.
Preparem-se, Defensores do Umbunzeiro. Pratiquem com os rebentos. Devem estar preparados para matar os vossos filhos quando eles quiserem substituir-vos ou superar-vos.
E autoproclamam-se vocês Defensores!  Vocês só querem é destruir.
E não se apercebem de que destruindo, destruirão também, inexoravelmente, tudo aquilo que pretendem defender.
Pensem!

Não vos resta muito tempo...

E dito isto, desceu lentamente do palco e caminhou para a porta, perante o silêncio de todos.
...E foi-se embora."

Bucay, Jorge; DEIXA-ME QUE TE CONTE,

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A linhagem Rosthschild

No início do século XIX, os herdeiros do dono de uma casa de câmbio em Frankfurt mostraram a um dos maiores génios militares da história que sem poderio financeiro não há artilharia suficiente para vencer guerras.
A melhor altura para comprar é quando há sangue nas ruas”. O autor da frase, Nathan Rothschild, devia saber do que falava, já que ajudou a construir um império financeiro alicerçado no sangue derramado na Europa pelas guerras napoleónicas do fi nal do século XVIII e início do século XIX. E ainda hoje a máxima do Barão de Rothschild é aplicada por alguns investidores para fazerem milhões.

No final do século XVIII, grande parte da Europa tremia ao ouvir este nome: Napoleão. A campanha conquistadora deste génio militar provocou o medo nos homens mais ricos da altura. Não só temiam ver as suas fortunas transformadas em despojos de guerra mas também, principalmente para aqueles que adoravam mais a vida que o dinheiro, o terror de serem esquartejados pelas baionetas dos soldados de Napoleão.

Um desses homens que queria preservar tanto a sua riqueza como a sua vida era Guilherme I, Eleitor de Hesse, que governava um território perto de Frankfurt e, dizia-se, era um dos aristocratas mais ricos da Europa. Numa primeira fase tentou ocultar os seus bens para que não acabassem nas mãos do Júlio César do século XVIII, contando com a astúcia e a perspicácia de Mayer Amschel Rothschild, que tentava transformar a casa de câmbio que herdara numa entidade fi nanceira poderosa. Mais tarde, Guilherme I exilou-se e deixou os seus bens nas mãos do fundador da poderosa dinastia Rothschild, que dura até aos dias de hoje e tem ramifi cações por todo o mundo, incluindo Portugal.

O xeque-mate a Napoleão


Napoleão até podia ser um dos maiores génios militares da História. Mas não há exército que resista ao poderio financeiro. E Mayer Rothschild revelou-se um estratega fi nanceiro capaz de causar estragos nas fi leiras de uma das maiores máquinas de guerra de sempre. Mas, mais importante ainda, conseguiu aumentar a fortuna à medida que o sangue tingia os campos de batalha pela Europa.

Mayer espalhou quatro dos cinco fi lhos pelos maiores centros fi nanceiros e de poder europeus (Londres, Nápoles, Paris, Frankfurt e Viena). E com a experiência adquirida em ocultar os bens de Guilherme I, criou uma rede logística no Velho Continente para que se conseguisse fazer circular bens pela Europa, como ouro e obras de arte, de maneira a que estes não fossem apanhados pelas tropas francesas. Mas a grande mais-valia deste entreposto logístico residia noutro factor, o poder da informação. Como dizia um dos aliados dos Rothschild, o Duque de Wellington, “tudo o que importa na guerra, aliás, tudo o que importa na vida, é esforçarmo-nos por descobrir o que não sabemos com aquilo que fazemos”. E aquilo que os Rothschild faziam permitiu-lhes saber o que outros não sabiam, dando-lhes enorme vantagem e reconhecimento nos mercados fi nanceiros.

Mas antes de se avançar com o golpe que permitiu colocar em prática a máxima de que é quando o sangue corre pelas ruas que os negócios se fazem, convém explicar porque se trouxe Arthur Wellesley, o Duque de Wellington, para esta história. O militar inglês andou anos a brincar ao jogo do gato e do rato com Napoleão, que com as suas ambições imperialistas havia sido considerado um alvo a abater por essa Europa fora. Mas já desde os tempos remotos que se sabe que quando se quer fazer guerra há que ter dinheiro. E foram os Rothschild que fi nanciaram Inglaterra nas campanhas contra Bonaparte, nomeadamente na defesa de Portugal durantes as Invasões Napoleónicas. Além disso, utilizaram a sua rede logística para entregar fundos da Coroa Inglesa aos estados aliados na guerra contra o temível francês.

A estratégia de fi nanciamento para derrotar Bonaparte iniciara-se, segundo alguns historiadores, sob as ordens do tal Guilherme I que, preocupado com os seus bens, queria evitar que o francês reinasse sobre toda a Europa. O patriarca dos Rothschild deu seguimento a esta táctica, contando com o contributo decisivo do fi lho que destacara para Londres, Nathan Rothschild, o tal que sabia como fazer dinheiro quando houvesse sangue nas ruas.

Além do sangue nas ruas, o dinheiro faz-se com influência e informação
Sangue foi o que não faltou no Junho chuvoso de 1815. Na última tentativa de se reerguer da humilhação na Rússia e do exílio em Santa Helena, Napoleão jogou as cartas todas em Waterloo, perto de Bruxelas. Do lado oposto estavam os aliados ingleses e prussos liderados por Wellesley. O futuro do continente e da bolsa londrina jogava-se naquele embate em terreno encharcado, iniciado a 18 de Junho, um Domingo.

Entretanto, reza a lenda, nos dias seguintes à batalha, o tal que sabia como fazer dinheiro quando houvesse sangue nas ruas, começou a vender dívida inglesa. Com a ausência de notícias vindas do campo de batalha, o mercado interpretou a decisão de Nathan como se o Rothschild soubesse qual tinha sido o desfecho de Waterloo e começou também a desfazer- se dos títulos. Segundo alguns especialistas, Nathan soube com antecedência qual o resultado da batalha, graças à sua rede de agentes que palmilhava a Europa para entregar bens e reunir informações. Após a queda do mercado e já com os preços deprimidos, Nathan começou a comprar e, seis dias após a batalha de Waterloo, chegou a Londres o emissário do Duque de Wellington a dar a notícia de que o temível Napoleão havia sido derrotado.

O resultado da sangrenta batalha, que provocou 51 mil baixas (entre mortos, feridos e desaparecidos) no exército de Bonaparte e 24 mil nas fileiras dos aliados, deu um grande impulso ao mercado londrino. E poderá ter sido uma das maiores jogadas na História dos mercados fi nanceiros, aumentando exponencialmente a fortuna dos Rothschild. Apesar desta versão, há alguns investigadores a argumentar que Nathan não lucrou com Waterloo e que, na verdade, a sua fortuna correu riscos signifi cativos com a possibilidade de Inglaterra sair derrotada, já que era um dos maiores credores da Coroa e veria os seus investimentos perder valor com uma derrota do Duque de Wellington.

Com a fortuna e a infl uência a subirem em fl echa, os Rothschild montaram um dos primeiros bancos de investimento globais. Rapidamente se tornaram nos principais fi nanciadores dos Estados europeus, espalhando o seu negócio por todo o Velho Continente. Foi esta família de banqueiros que fi nanciou a Coroa Inglesa para a compra do estratégico Canal do Suez. Estiveram ainda na fundação de empresas como a De Beers, que ainda hoje detém o monopólio de diamantes, e da Rio Tinto, que continua actualmente a ser uma das gigantes do sector mineiro. Compraram minas na América, onde abriram sucursais, e na Península Ibérica. Foram uns dos maiores fi nanciadores do fôlego industrial de fi nal do século XIX e não deixaram escapar a oportunidade do ouro negro, ao investir nos campos petrolíferos russos.

Usaram o seu dinheiro para incentivar a construção de caminhos-de-ferro, do metro de Londres e de um túnel que ligasse França a Inglaterra. Toda esta infl uência levou mesmo os Rothschild a ter o poder de emitir moeda em Inglaterra e a serem a entidade responsável por fi xar o preço do ouro. E ao mesmo tempo que a sua infl uência fi nanceira junto de estados soberanos aumentava, os Rothschild lançavam também elementos da sua família na política inglesa e francesa. Todo este poder levou a que surgissem teorias sobre o papel dos Rothschild no controlo da economia mundial e da infl uência para coagir os estados a tomar posições benéfi - cas para os seus interesses, assim como de conseguirem promover a guerra e a paz.

Entretanto, dos negócios iniciados pelos fi lhos de Mayer Amschel Rothschild, a operação em Nápoles acabaria por encerrar. Também em Frankfurt a falta de herdeiros levaria ao fecho da casa que serviu para o império Rothschild como Roma para o Império Romano. O poder da família tinha como epicentro Londres e Paris.

O judaísmo, o desentendimento e a ligação a Portugal 
Apesar da riqueza existiam questões fracturantes entre a família Rothschild. Uma delas era se o clã devia ou não usar a fortuna para instituir a Terra Prometida da sua religião, o judaísmo. Um dos Rothschild mais empenhados nesta demanda foi Edmond James de Rothschild, fi lho do fundador do negócio da família em Paris. No século XIX fi nanciou os primeiros colonatos judeus na Palestina, lançando bases decisivas para a criação do que viria a ser o Estado de Israel. Os esforços de Edmond valeram-lhe mesmo o epíteto de Pai de Israel. O incentivo à criação de um Estado judaico na Palestina continuou a ser incentivado pelos descendentes de Edmond James. E um dos seus fi lhos, Maurice, protagonizou a querela com maiores consequências na história do clã no final da década de 30 do século XX. Discordando do rumo dos negócios da família, saiu do grupo Rothschild para se estabelecer por conta própria, mas não teve muito tempo para colocar as suas ideias em prática devido à ascensão de Hitler.

Mesmo tendo conseguido levar a melhor sobre Napoleão, os Rothschild não resistiram incólumes à cavalgada diabólica de Hitler pela Europa. O regime nazi confi scou os bens dos Rothschild na Áustria, levando ao encerramento da operação da família em Viena. E a associação de Maurice de Rothschild à estrela de David e à resistência francesa, levaram-no a recorrer ao cônsul português de Bordéus, Aristides Sousa Mendes, para conseguir um visto que o tirasse de terreno mortífero. Maurice era senador francês e foi um dos poucos a opor-se ao Regime de Vichy do general Petain, que fez a paz com Hitler, e congeminou a criação de um foco de resistência francês em Londres caso a Gália sucumbisse totalmente aos Panzers alemães.

Graças aos vistos concedidos por Aristides, Maurice e outros sete elementos da família Rothschild conseguiram fugir para Portugal e escapar às perseguições nazis. Após a II Guerra Mundial, o fi lho de Maurice, Edmond Jacques, aproveitou várias heranças para criar uma entidade fi nanceira na Suíça que ainda hoje é independente do Grupo Rothschild, o Edmond de Rothschild Group, que tem, desde 2000, escritórios em Portugal.

Além do escritório em Lisboa, as entidades ligadas aos Rothschild estiveram activas no processo de privatizações portuguesas nas décadas de 80 e 90 e continuam a ser assessores fi nanceiros em operações no mercado de capitais nacionais. A entrada em bolsa da REN, por exemplo, teve o grupo Rothschild como um dos bancos de investimento a montar a operação. E, mais recentemente, a entidade esteve presente na avaliação dos activos da Cimpor e no cálculo das necessidades de capital dos bancos portugueses. Outras das grandes áreas de actividade do clã são a arte e os vinhos. Os Rothschild já foram proprietários da Quinta do Carmo, de onde sai o vinho Bacalhoa, que foi comprada há poucos anos por Joe Berardo.

O grupo Rothschild, que vai na sétima geração de banqueiros, continua a manter a sua infl uência nos dias de hoje e ainda tenta recuperar de um dos maiores reveses que sofreu na sua história. Apesar de terem derrotado Napoleão e sobrevivido a Hitler, o negócio original do clã sofreu os maiores estragos em 1983, quando o Presidente francês, François Mitterrand, nacionalizou o Banco de Rothschild. Três anos depois, a família tentou reerguer-se das cinzas, fundando o Rothschild & Cie Banque, que deu origem ao grupo actual.

E apesar de actualmente não terem o poderio e o mediatismo de gigantes norte-americanos, como o Goldman Sachs e o JP Morgan, ainda são capazes de fazer jogadas de mestre nos mercados. Em 2008, ano em que a falência do Lehman Brothers colocou os maiores bancos de investimento do mundo a lutar pela sobrevivência, a empresa-mãe do grupo Rothschild, a Paris Orléans, conseguiu lucrar 76 milhões de euros, assentes na sua actividade na banca de investimento, gestão de activos e banca privada.
(artigo publicado na revista Fora de Série com a edição de 4 de Outubro do Diário Económico)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

BPN/SLN e o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP)


Transcrição parcial da página 87, 88 e 89 do Livro «Os Privilegiados» de Gustavo Sampaio, Esfera dos Livros.

(…/…)

Um dos activos do Grupo Galilei é a Datacomp, empresa de tecnologias de informação que detém uma participação de 9,55% na estrutura accionista do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP). A Datacomp pertencia ao universo empresarial da SLN e chegou a ser administrada por Yolanda Maria Oliveira e Costa, filha de José Oliveira e Costa. O restante capital do SIRESP pertence à PT Participações (30,55%), Galilei ( ficou com os 33% da SLN), Motorola (14,90%) e Esegur (12%) do Grupo Espirito Santo.

O SIRESP foi adjudicado a um consórcio liderado pela SLN em 2005, por um valor de 538,2 milhões de euros (M€). O despacho da adjudicação foi assinado pelo então ministro da administração interna, Daniel Sanches, no dia 23 de Fevereiro de 2005, ou seja, três dias após as eleições legislativas que resultaram na vitória por maioria absoluta do PS de José Sócrates –Daniel Sanches, que , aliás, exerceu cargos de administração na SLN antes de ter sido ministro no Governo liderado por Pedro Santana Lopes.

«Mas esse não foi o único despacho do anterior titular da Administração Interna em relação a esse dossiê. No Diário da República de 29 de Março de 2005, foi publicado um novo despacho de Sanches assinado no dia 2 desse mês ( dez dias antes da transição do poder), através do qual o ex-ministro dava à secretaria-geral do ministério o estatuto provisório de “entidade gestora” do processo, de forma a ter poderes para “ a celebração do contrato com a sociedade operadora”, ou seja a SLN, que foi a única que se apresentou a concurso.»

Ambos os despachos foram assinados por Daniel Sanches quando do Governo de Santan Lopes estava em gestão corrente.

O consórcio liderado pela SLN foi o único que participou no concurso porque as outras 4 empresas ( entre as quais a Siemens, a Nokia, e a Elocom) convidadas pelo governo (liderado por Durão Barroso) a apresentarem propostas desistiram logo na fase prévia. «Em Julho de 2003, o Governo convidou cinco empresas de telecomunicações a apresentar propostas a este meganegócio, mas apenas o consórcio vencedor enviou um projecto. Depois de terem pago 15 mil euros pelo programa de procedimentos, os restantes participantes desistiram, alguns alegando que o concurso estava previamente decidido.»

(…/…)

Após a tomada de posse do novo Governo , a 12 de Março de 2005, António Costa (actual presidente da Camara de Lisboa ) assumiu o cargo de ministro da Administração Interna e decretou a nulidade da adjudicação do seu antecessor com base num parecer da Procuradoria Geral da República. Porém, decidiu mais tarde renegociar o contrato com o mesmo consórcio liderado pela SLN, acabando por confirmar a adjudicação definitiva do SIRESP, embora por um valor ligeiramente mais reduzido: 485,5 milhões de euros.

Ainda assim, «cinco vezes mais do que poderia ter gasto se tivesse optado por outro modelo técnico e financeiro. A conclusão vem num relatório escrito em Maio de 2001 pelo primeiro grupo de trabalho que estudou a estrutura desta rede de comunicações e a baptizou de SIRESP.(..) O Presidente desse grupo de trabalho, Almiro de Oliveira – um especialista em sistemas e tecnologias da informação com mais de 30 anos de docência Universitária -, não consegue encontrar justificação para a discrepância de números, até porque o equipamento que foi adjudicado tem quase as mesmas funcionalidades que aquele que idealizou».

«”No nosso relatório prevíamos um investimento inicial entre 100 e 150 M€. A isso acrescentávamos 10% ao ano, que corresponderia ao custo de exploração”, precisa o professor universitário, que recorda que hoje, face á desvalorização da tecnologia os valores do investimento inicial rondarão entre 70 e 105 M€.»

O SIRESP é uma rede de comunicações destinada às forças e serviços de emergência e de segurança. Em Janeiro de 2013, durante um forte temporal que assolou o território nacional, o sistema falhou.

«O Ministério da Administração Interna assumiu ao «Sexta às 9» que não pode responsabilizar, nem sequer pedir indemnização à empresa SIRESP, proprietária do sistema integrado de redes de emergência. Esta tecnologia de ponta, utilizada para a comunicação entre as forças de segurança, falhou no grande temporal de há precisamente 6 meses.

A falha pôs a nu uma das maiores fragilidades da segurança interna. Especialistas garantem que Portugal está permeável a qualquer ameaça, uma vez que, em caso de nova falha do SIRESP, as comunicações alternativas são apenas as analógicas, que não estão encriptadas.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Governo suspende pagamento de juros da divida pública e toma medidas inesperadas...

O Governo português anunciou hoje que iria suspender o pagamento dos juros da dívida pública*, uma vez que a nossa divida pública está a crescer anualmente a um ritmo próximo do valor dos juros, que resulta do facto do nosso orçamento de estado ter atingido o chamado equilíbrio primário.

Doravante, todos os ganhos orçamentais serão directa e exclusivamente canalizados para a amortização de divida pública, e toda a divida que entretanto se for vencendo será unilateralmente prorrogada por prazo idêntico ao anteriormente estipulado, até que possamos iniciar a sua amortização parcial e consecutiva.

O Governo informa também todos os credores internacionais que para voltarem a poder usufruir de juros à taxa anual de 3% terão de prescindir de imediato de 20% do capital emprestado, sem prejuízo de renegociações futuras.

O governo português mantêm-se firme na sua convicção que só com contas públicas equilibradas o país pode restaurar a sua credibilidade internacional, mas que este equilíbrio já não poderá resultar da imposição de politicas de austeridade cegas, que não têm em linha de conta a estrutura económica e produtiva do país.

Cumulativamente decreta também o governo português que neste seu esforço de racionalização de divida externa conta com o incondicional apoio do BCE, no sentido deste manter a sua politica de tomada firme de divida pública nacional nos mercados secundários assumindo assim o seu papel de banco central de suporte ao EURO, a sua principal função senão mesmo a única razão da sua existência. Nesse sentido prevê o governo português que a divida pública nacional venha a ser detida em partes crescentes por investidores públicos e privado da zona Euro, como se espera que aconteça numa zona monetária única como o Euro, de onde todos beneficiam.

Nesse sentido decreta o governo português uma moratória de 5 anos, na amortização de divida pública, para poder reestruturar o orçamento de estado e poder aliviar a carga fiscal sobre empresas nacionais e famílias, tornando Portugal fiscalmente mais competitivo em termos internacionais, e criando as necessárias condições de investimento para que o país venha a registar níveis de crescimento económico, que nos irão permitir amortizar a divida pública ( e privada ) nacionais.

O Governo da Republica Portuguesa, eleito democraticamente em 2011, e com o apoio da maioria dos cidadãos portugueses eleitores, confrontado com a falta de resposta das autoridades da União Europeia, à altura da situação que o país atravessa, vê-se assim obrigado a tomar medidas de defesa do interesse nacional a curto prazo, mas também do interesse dos nossos credores internacionais a médio longo prazo, credores esses pelos quais temos o maior respeito e que compreenderão certamente o alcance das medidas agora tomadas, senão já, a seu devido tempo.

O primeiro ministro, eleito.
* Só para credores internacionais.



Este texto é pura ficção e não vincula ninguém a não ser o autor.É também um desafio aos que gostam de falar em «ter raça» ou «ter fibra» ou simplesmente «tê-los no sitio». 
@cms20130611

quarta-feira, 8 de maio de 2013

PERDÃO DE DÍVIDAS vs RISCO MORAL

Declaração de interesses:

Quero deixar claro que por principio não sou a favor do perdão de dívidas assumidas por pessoas maiores de 30 anos, com licenciatura na área da gestão de empresas (pré-bolonha) e experiência de vida QB, para assumir compromissos de divida, seja de que montante e prazo forem. 



Quando alguém fala em perdão de dívidas logo se levantam os arautos da moral e dos bons costumes, acenando bem alto a bandeira do risco moral, que o perdão de dividas encerra.

Para quem não sabe e no caso concreto, o risco moral é o eufemismo criado para designar o risco que aqueles que emprestam assumem, ao fazê-lo e que na prática é o risco de não voltarem a receber o capital emprestado.


Quando uma qualquer empresa concede crédito aos seus clientes, assume igualmente um risco de crédito, ou seja corre o risco de não receber esse crédito. Quando isso acontece, e face à forma como funciona o nosso sistema de justiça, fica-me a ideia que o risco assumido pelas empresas, é um risco financeiro normal que decorre da sua actividade económica logo onde não há espaço a qualquer espécie de MORALIDADE, muitas vezes nem o direito de receber.


Já quando o CREDOR é um Banco ou uma entidade financeira, logo se menciona a questão do RISCO MORAL, que segundo os defensores do sistema financeiro tem a ver com a necessidade de se proteger o capital dos DEPOSITANTES, porque aparentemente os Bancos emprestam o que não é seu, e digo aparentemente, porque as empresas ao concederem crédito aos seus clientes fazem-no porque também o obtêm dos seus fornecedores, caso contrário dificilmente o conseguiriam ceder, aliás como agora acontece, dada a fortíssima redução dos níveis de crédito na economia.


Posto isto, parece-me não haver aqui razão alguma para que ao risco financeiro assumido pelos bancos deva ser concedido um tratamento diferente daquele que é concedido às empresas. 


Então porque é que na prática não é assim ?

Porque os bancos ao emprestarem dinheiro, por obrigação da sua actividade, obtêm dos seus devedores aquilo a que se chamam as GARANTIAS REAIS.

Estas Garantias são por norma as CASAS nos empréstimos habitação ou outro tipo de PATRIMÓNIO nos empréstimos a particulares e/ou empresas.


Hoje como sabemos todas estas GARANTIAS estão sujeitas a uma fortíssima desvalorização boa parte dela induzida pela politica de canibalização fiscal sobre o PATRIMÓNIO IMOBILIÁRIO a que o estado teve de recorrer por inexistência ou enfraquecimento de outras FONTES DE RECEITA FISCAL.


Nesse sentido os bancos estão a PENHORAR ACTIVOS aos seus clientes, que sabem estar desvalorizados, ficando com eles em CARTEIRA e em simultâneo perdendo os clientes. Uma estratégia perda-perda, onde perde o banco, perde o cliente, perde a economia nacional.


A única alternativa à penhora de casas e património de empresas, é manutenção destas nas mãos de quem lhes CONFERE UTILIDADE logo legitima a sua própria existência, caso contrário mais vale demoli-las, porque o excesso de CASAS no mercado imobiliário acabará por arrasar os preços de TODAS AS CASAS, inclusive das que ainda não foram penhoradas, contribuindo assim de forma decisiva para a redução de TODAS AS GARANTIAS BANCÁRIAS, e fragilizando os próprio sistema financeiro.


Mas como evitar a PENHORA, se os DEVEDORES entram em incumprimento ?


É aqui que entra não só a BANCA como o próprio ESTADO.


Se por um lado a BANCA emprestou, por outro lado muitos dos empréstimos só foram concretizados porque o estado legislou ou ausentou-se de legislar no sentido de REGULAMENTAR A ACTIVIDADE da Banca, nesse sentido. são ambos responsáveis.


Nesta altura já os arautos do Risco Moral devem estar a gritar; Mas o estado somos todos nós!!!!
E eu não quero pagar os devaneios alheios.


Acontece que em Democracia todos somos responsáveis por todos. E permitir que o estado legisle no sentido de serem concedidos empréstimos a 50 anos ou até aos 70 anos de idade, ou que um único cidadão possa ter 20 cartões de crédito, são tudo formas de irresponsabilidade que obrigatoriamente têm que se partilhadas por todos.


O estado legisla, e nós ao aceitarmos as leis e nada fazermos contra elas, quando já hoje dispomos das FERRAMENTAS DE DEMOCRACIA PARTICIPATIVA necessárias a isso, estamos a ser coniventes com essas leis, logo co

responsáveis nas suas consequências.

Assim, e voltando às 700 000 famílias devedoras que entraram em incumprimento até ao final do primeiro trimestre de 2013 e que são hoje responsáveis por 4 500 Milhões de Euros de crédito mal parado na banca, urge afirmar que AS PENHORAS NÃO SÃO UM CAMINHO.


Porque este caminho irá conduzir-nos à falência de empresas e famílias em catadupa e por consequência à falência de todo os sistema financeiro. E não será só aqui em Portugal.


Por tudo isto URGE REGULAMENTAR A ACTIVIDADE BANCÁRIA de forma a evitar a repetição exaustiva no futuro de erros passados, mas URGE TAMBÉM CRIAR CONDIÇÕES PARA QUE O SISTEMA FINANCEIRO, POSSA ACOMODAR O CRESCENTE CRÉDITO MAL PARADO, sob pena de se nada for feito toda a economia implodir, ruindo sobre si mesma.


O perdão parcial de dívidas na actual situação económica do país, devidamente justificada pelo desemprego ou outra condição objectiva ( doença, acidente ) das famílias  deve ser ponderado, não como um risco moral, mas como uma obrigação moral, por parte de quem no passado usufruiu de condições extraordinárias e injustificadas para à conta de alguma irresponsabilidade financeira, consequência de um mar de iliteracia financeira e um pântano legal permissivo, também ajudou a que a actual situação eclodisse, é o caso da BANCA e do ESTADO.


Se assim não for, depois não se admirem, que tenhamos de sair do EURO!