sexta-feira, 23 de abril de 2010

No caminho de uma Democracia mais equilibrada e justa.

Segundo a Constituição da Republica Portuguesa de 1976, que consagra um sistema democrático construído sob as cinzas do Estado Novo, integra um espírito claramente socialista, embora já suavizado pelas sucessivas revisões, temos que qualquer cidadão português com 18 anos ou mais, tem direito a 1 voto, nas várias eleições democráticas.

Este direito, é independente da sua idade, sexo, raça, religião, etc.
Em relação ao Estado Novo, houve duas inovações substanciais. As mulheres passaram a poder votar, e a maioridade passou dos 21 para os 18.

Se a primeira alteração é unânime & consensual, já a segunda nunca o foi.
Quiz-se no entanto normalizar a maioridade pela de outros países da Europa e do Mundo.

Acontece que agora, ao fim de 36 anos de Democracia, começa-se a perceber que a manipulação mediática da opinião  pública produz efeitos perversos maioritariamente sobre as faixas etárias mais jovens, que votam em consonância com escalas de valores e idades que pouco ou nada têm a ver com a seriedade das consequências que o seu voto produz nas pessoas que ocupam os mais importantes cargos de administração da nação, e consequentemente na própria governação do país.

Feliz ou infelizmente  toda a gente vota a partir dos 18 anos, mas gente em cargos importantes de governação raramente lá chega antes dos 35. Ou seja , a lógica que é aplicada aos votantes, não é a mesma lógica de selecção natural dos votados. E aqui a idade conta, e não é pouco.

Assim sendo , facilmente se pode concluir que a capacidade de julgamento & decisão aos 18 anos não é necessariamente a mesma que existe aos 35.
No entanto qualquer cidadão com 35 anos tem o mesmo peso eleitoral que um de 18 anos.

Podemos então afirmar com razoável grau de razão, que este sistema trata de forma igual o que necessariamente não o é, resultando daqui uma distorção intransponível.(!?)

Obviamente é sempre muito mais fácil fazer diagnósticos que apontar caminhos, por isso o nosso país está pejado de bons diagnosticadores e carece de gente com capacidade decisão e autoridade pessoal qb para as implementar.

Arrisco portanto, afirmar que a partir dos 35 anos
( idade mínima para se poder ser eleito presidente da republica ) qualquer cidadão deveria dispor de 2 votos, não me arriscando a avançar com mais nenhum outro tipo de divisão menos evidente e fácil de suportar com argumentos suficientemente válidos.

Incorporando as ideias dos 3 primeiros comentários a este texto, complemento a mesma;
Proponho então um regresso á regra 1 homem, 1 voto aos 65 anos, e o retorno á  idade mínima para votar para os 21 anos.




quinta-feira, 1 de abril de 2010

Alea jacta est

Se no meio de toda esta crise económica e de valores em que vivemos eu tivesse que escolher um ou dois factos positivos, escolheria para a primeira a futura imposição de regras germânicas nas nossas contas publicas, e para a segunda o movimento civil voluntário recentemente consubstanciado pelo Projecto Limpar Portugal.

Se por um lado os anos de crise são anos de sofrimento humano puro e absoluto, também o são de um grande crescimento, é tempo de sofrer mas também de sonhar, porque quando um homem sonha o mundo pula e avança, já dizia o poeta.

A total ou quase total ausência de valores das sociedades ocidentais nas ultimas décadas, conduziu-nos a um imenso vazio na alma, que agora munidos de elevados ( ou nem tanto assim ) níveis de formação começamos finalmente a aperceber-mo-nos da armadilha da ganância material, efémera, vazia, egoista, sem sentido.

Por outro lado, a adolescente democracia portuguesa, parece agora acordar de mais uma noite de copos, e começa a despertar para um amanhecer que nos parece sombrio, mas onde a falta de autoridade e disciplina reinantes, a outra realidade não nos poderá conduzir, que não seja a de tomarmos medidas prementes e efectivas no sentido de corrigir essa ausência. Dando assim esperança a que outros valores renasçam da penumbra a que foram sujeitos ou por nós inconscientemente submetidos.
Esperemos no entanto que todos estes anos de liberdade nos permitam saber onde está o equilíbrio e  não passarmos desta vez do 8 para o 80 como nas ultimas 3 décadas e meia passámos do 80 para o 8.

A legitimidade para exercer essa autoridade está em nós na sociedade civil e não no estado, através da nossa união, parte dessa legitimidade é conquistada com movimentos como este. Mas não vamos ficar por aqui, as comunidades participativas e interessadas nascem e multiplicam-se, em Lisboa, Carnide, Mouraria, Marvila ou o Beato lideram os movimentos civis que assumem ( finalmente ) nas suas próprias mãos o seu próprio destino, relegando ao estado o papel de executor, de linhas e directiva definidas sobre realidade concretas, em suma da vontade do cidadão.  será uma questão de tempo, os caminhos estão traçados.


Dos planos grandioso, modernos e bonitos, iremos passar para a REALIDADE, a que nos for imposta por Berlim, ou qualquer uma outra. Será uma questão de tempo. O que não soubermos ou quisermos fazer por nós, ser-nos-á imposto, e aí perdemos a prerrogativa da escolha. Teremos alternativas?

Temos sempre, mas não são válidas, se quisermos esculpir com as nossas próprias mãos os alicerces do nosso futuro colectivo.

No dia 20 de Março, é o inicio de uma nova era, não o fim, assim nós tenhamos a humildade de saber agarrar a oportunidade.

Ergamo-nos!

terça-feira, 9 de março de 2010

O Poder da Formiga

Nos últimos 30 anos, à medida que os nossos brilhantes líderes licenciados nas mais famosas e reputadas Universidades Mundiais iam congeminando não menos brilhantes estratégias para acabar com os ciclos económicos, (o que, fazendo tábua rasa dos ensinamentos e sabedoria de Kondratieff, supostamente conduziria o mundo para um crescimento imparável & ilimitado, como se de repente estes novos iluminados tivessem descoberto o caminho do Eldorado, quiçá a própria Atlântida) houve um sector da sociedade capitalista mundial, que foi totalmente ignorado. Este sector manteve-se à parte, não porque o seu contributo não fosse real e efectivo, não porque o peso desse contributo não fosse inclusivamente muito significativo nas contas orçamentais de quase todos os estados ocidentais, mas tão só porque os seus membros não são unidos nem se fazem representar normalmente a uma só voz. Falo-vos dos milhares de nano, micro, mini & pequenos empresários e empresas, que dão emprego a (imagine-se…) + de 90% da população activa no ocidente.



Estas formigas, passo a passo e sob o jugo de um fisco cego e impiedoso, contra todas as expectativas, vão sobrevivendo e persistem em aparecer nas estatísticas, embora sem um rosto ou um nome. São centenas de milhões de pessoas, por todo o ocidente. A excessiva concentração da riqueza nas mãos de 1% nos EUA e cerca de 5% na Europa, deserdou os restantes de poderem sequer vislumbrar um futuro que se possa assemelhar, comparativamente, aos níveis de qualidade de vida das 2 gerações anteriores. A destruição da classe média, que serviu de suporte ao crescimento da economia ocidental na segunda metade do século 20, fez com que a economia de base capitalista liberal, entrasse por um caminho autofágico, que reduziu gradualmente o poder de compra de uma larga base de cidadãos, confrontando-os hoje com a mais vil & indesmentível miséria. (Vejam menos televisão e informem-se melhor sobre quem vive na casa ao lado…). Em paralelo, os senhores do mundo, vulgo elite política e grandes multinacionais (reparem que excluo as pequenas e médias, porque também estas acabarão por sofrer consequências imprevisíveis nos próximos anos), continuam a usufruir de todo o tipo de benesses e mordomias, só que agora estas lhes advêm directamente da miséria e do sofrimento alheios.



A grande força da formiga, é estar habituada ao sofrimento, ao sacrifício, e isso fá-la procurar sempre novas forma de sobrevivência, formas essas que não passem por continuar a alimentar as classes predadoras, nomeadamente o fisco. Eis senão que as formigas descobriram que se parassem de investir o seu dinheiro e o fossem acumulando, todo o sistema ruiria pela base. E, ainda que também elas fossem afectadas, teriam muito menos a perder que as restantes classes que se servem delas, para as explorar. É isso que está a acontecer, neste momento. A taxa de poupança está a subir vertiginosamente, e creio mesmo que dentro de 2/3 anos – tal como Portugal é hoje um dos países da Europa com menos acidentes rodoviários per capita (pois é, não vem nos telejornais, não é…) - também muito em breve será o país com a mais alta taxa de poupança. E sabem porquê? Porque nos está nos genes. Produzir e poupar, lembram-se?



As formigas começam a redescobrir as vantagens da reutilização das coisas, em vez de simplesmente as deitarem para o lixo, comprando coisas (embora novas, cada vez mais falsificadas, por processos de fabrico capazes de iludir perfeitamente os sistemas de qualidade que nos andaram a vender durante anos). Através da reparação de máquinas e outros objectos, apostando na preservação dos seus níveis de funcionamento com a necessária e adequada manutenção. A reciclagem de materiais em vez do crescente e destrutivo consumo de matérias primas. As formigas estão a aprender a partilhar a informação porque perceberam que é nesta partilha que reside em ultima análise a sua própria sobrevivência. Esta crise económica tem a virtude de conseguir aquilo que nenhuma campanha de marketing ou líder político conseguiu até hoje: fazer com que as pessoas comecem a olhar umas para as outras e não se vejam só como factores de produção, mas como seres humanos, que somos.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Dolar vs Euro

A Grécia
Independentemente dos nossos amigos Gregos, não se terem portado bem nos últimos anos, em termos orçamentais, seria importante perceber que a Grécia não é, nem de longe o país da Europa que enfrenta a situação económico-financeira mais melindrosa. No entanto foi eleita para servir de “bode expiatório”, e ao mesmo tempo um teste á coesão da União Monetária Europeia.



Porquê a Grécia?
Porque com facilidade se colaram logo os restantes países mediterrânicos e se lhes atribuíu um acrónimo rural, para  (n)os designar. Mas será que os “Pigs” ( Portugal, Italy, Greece, Spain ), são assim realmente tão importantes, no seio da União Monetária que representem efectivamente um perigo real?



O reduzido peso dos PIGS..
Vejamos então, Portugal representa 1,8% da economia da União, a Grécia 2,6 %, a Espanha 11,8% e a Itália pouco mais de 16%.



Como sabemos e apesar de tudo a situação da Itália, não é tão grave como nos restantes 3 países, pelo que e a centrarmo-nos neles, facilmente verificamos que os 3 juntos não chegam a representar a dimensão da economia francesa que no ano passado atingiu um deficit orçamental na casa dos 8,3% e representa aproximadamente 20% do PIB da União.

Ainda que juntemos a este trio, a Irlanda, com o seu défice orçamental de 12,5% do PIB e a pesar 2% no PIB interno da União, continuamos a não atingir os 20%.. Recordo que quer a Irlanda quer a Grécia, já tomaram medidas efectivas de redução da despesa publica.

As Aldeias de Potemkim

Enquanto se distraem “os mercados” - acrónimo vulgarmente utilizado para mascarar os gananciosos especuladores que outra coisa não fazem do que multiplicar dinheiro através de complexos cálculos matemáticos que nada acrescem á riqueza real, e que criaram nos últimos 10 anos 30,000,0000,000 USD de activos fantasma, cujo o mediatismo transformou em activos tóxicos -, com o “problema Grego”, que vale 2,6% do PIB da União Monetária Europeia ( EURO ), esconde-se a derrocada financeira nos EUA e no Reino Unido, que colocam este dois países, numa situação económico financeira muito mais catastrófica, que a da Grécia, Espanha & Irlanda juntas. Não só pelo peso que têm na economia mundial, mas também pelos problemas estruturais das respectivas economias.



Os EUA, confrontados com a desindustrialização da sua economia e com o previsível fim do Dólar enquanto moeda de reserva mundial, estão no caminho para o abismo. A Inglaterra, totalmente despida das suas posses coloniais, e sem a protecção do EURO, enfrenta hoje uma crise estrutural com contornos idênticos á dos EUA, mas sem o poderio militar e a dimensão geo-estratégica destes, logo de consequências sociais ainda mais graves para o seu povo, que as dificuldades que o próprio povo americano já enfrenta no seu dia a dia.

Os EUA e o Reino Unido, transformaram-se hoje em autênticas Aldeias de Potemkin, ao terem permitido nos últimos 30 anos a destruição da sua economia real através da Globalização que os próprios fomentaram e alimentaram, um Paradoxo? Talvez.



Percebem hoje que sem uma base real, a colossal pirâmide invertida em que se transformaram os derivados, sub-derivados, sub-sub-derivados financeiros, não passavam de um punho de "madoffs", assente numcada vez mais exíguo vértice, chamado economia real.



Infelizmente para todos é a economia real que cria a esmagadora maioria dos empregos, embora o mais bem remunerados sejam os da área financeira..

Cortinas de Fumo
Veremos nos próximos tempos muitas outras cortinas de fumo a serem levantadas, com o intuito de nos desviarem a atenção dos problemas reais e efectivos. Prepara-se para breve uma venda de aproximadamente 120 Toneladas métricas de Ouro em barra das reservas do FMI, para ( segundo eles ) acalmarem o mercado do Ouro. Recordo que só a índia, recentemente adquiriu 200 Toneladas de uma vez só, e que as 120 Toneladas poderão ser colocadas num só dia, que não só haverá compradores para elas, como o preço do Ouro continuará a subir.



Não sei se o padrão ouro, se voltará a impor, mas sei que o padrão dólar, está condenado ao fracasso, por falência técnica da economia que lhe serve de base.

Ataques contra o Euro, por parte de investidores americanos e ingleses, primeiro na tentativa de evitar o colapso eminente da Libra, e depois o subsequente colapso do Dólar, serão a partir de agora uma constante, dado o “mar de liquidez” que a Reserva Federal Americana está a injectar nos mercados, com o objectivo de financiar o colossal défice orçamental americano que em 2010 alcançará os 12,5% do PIB.

Os EUA, estão a caminhar para uma situação de ingovernabilidade quase absoluta, e serão cada vez mais pressionados pela ascendente potencia asiática, que com curtos e lentos passos, vai reconquistando o seu lugar no mundo.

Nós Europeus, senão percebermos que somos hoje o ultimo arauto de esperança do mundo ocidental, e não tivermos a humildade de perceber porque é que a Alemanha, se mantem com deficits orçamentais abaixo dos 4%, sem nunca ter prescindido de um única grama das sua reservas de ouro, ao abrigo das vendas de ouro programadas pelo BCE, nos últimos 10 anos, teremos perdido mais uma oportunidade de deixarmos (ao fim de 65 anos..) de ser um “protectorado” dos EUA.


Urge reavaliar o peso politico & militar da UE, no novo paradigma mundial que se avizinha, pois passará cada vez mais por aí a manutenção da nossa capacidade politica de influenciar equilíbrios , mas também de garantir a sobrevivência do nosso “way of life” na próxima década. O Euro começa a assumir-se como a unica moeda verdadeiramente estável, e com força suficiente para encabeçar um cabaz de moedas, que passem a servir de referencia mundial substituindo definitivamente a ilimitada capacidade americana de se auto-endividar.

Perdoem-me não falar de Portugal, mas o nosso actual sistema de governação ( ..não estou a pôr em causa a Democracia ! ) não me permite sequer considerar os "nossos" actores políticos como intervenientes na definição do que será o nosso futuro.

Muito em breve, os nossos políticos, limitar-se-ão a ter de obedecer ás ordens que forem emanadas de Berlim ( como os Gregos & Irlandeses já estão a fazer, sem grandes ondas ), embora devidamente embrulhadas em papel de seda com laçarotes a condizer, e acompanhadas por meia dúzia de pasteis de Belém para não ferir susceptibilidades.

As eleições legislativas que se esperam para o final do Verão de 2010, não passarão de mais um mero pró-forma, como de resto já foram as ultimas, cujas consequências práticas todos temos tido a oportunidade de verificar, nos últimos meses. Os portugueses continuarão a votar nos mesmos acreditando piamente que serão eles os fieis depositários da nossa esperança, sem contudo perceberem que se trata de uma hipoteca, sem fim á vista.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Henrique Medina Carreira - A epitome do (aparente) pessimismo.

Recordo-me no meu ultimo ano de faculdade (1992) um professor que era director na área de controlo e planeamento num ministério estatal - há alguns anos - dizer numa aula da cadeira de Gestão do Sector Publico, que em Portugal; “Só existiam duas pessoas que conheciam bem o funcionamento interno do estado, e onde se podia e devia cortar quando assim fosse preciso.”

Um foi ministro das finanças do Eng. António Guterres, o falecido Dr. António Sousa Franco, e outro o Prof. Henrique Medina Carreira , que como sabemos foi também ministro das finanças, embora há mais tempo.

Quando ouvimos o Dr. Medina Carreira, a afirmar que estamos perante uma mudança de paradigma, porque o crescimento da economia estagnou, no intervalo de 0 a 1%, em média nos últimos 10 anos, não nos é difícil de acreditar que o homem diz a verdade. O problema é que ele já anda a dizer a verdade há mais de 20 anos e parece que ninguém lhe deu ouvidos nos ultimos 19… porque terá sido?

Porque dizer a verdade não chega, é preciso ir mais alem… mas..

Para que a economia portuguesa conseguisse suportar a prazo o nível de direitos políticos & sociais que o estado concede aos seus políticos & alguns cidadãos, o crescimento REAL anual da economia portuguesa, nunca poderá ser inferior a 3%, logo, como não temos crescido e não se vislumbra que venhamos a crescer a este ritmo , a economia portuguesa não gera rendimentos suficientes para este nível de direitos políticos & sociais, há pelo menos uma década!!...

Acontece porem que a única força legitima válida para todos nós, independentemente das opiniões de cada um ou das cores politico partidárias, é o exemplo. Diz quem sabe da recente História de Portugal, que foi essa a primeira razão que tornou o Dr. António de Oliveira Salazar, indestronável, parece que o homem tinha a mania de não dar maus exemplos. 

Facto é, que em vida e após ter sido convidado pela segunda vez para assumir o poder, aos 37 anos de idade, só após a sua morte,  se reuniram os consensos necessários e suficientes, para que se mudasse de regime, que entretanto tinha caducado com a mesma, por falta de validade…e respectiva falta de sabedoria, dos que o queriam substituir mas não conseguiram, pelo que se sabe porque já precisavam de trocar de sapatos com mais frequência.

Parece que o Homem teimava em usar sempre os mesmos sapatos, ( uns diziam que por forretice, outros porque tinha os pés tortos e não era fácil fazerem-lhe uns á medida ), e que tinha o péssimo hábito de não dar ponto sem nó, nem deixar pontas soltas, o que dificultou sempre muito a vida a quem o queria destronar. Mas pior que tudo foi ter morrido pobre, isso é que foi mesmo uma maldadezinha daquelas que só um verdadeiro cínico é capaz. Morrer pobre. É que não se podendo acusar o homem de burrice, fica-se a pensar por que raio é que um homem ao fim de tantos anos no poder, nem uma continha num off-shore amealhou...

Mas não é para falar de história que vos escrevo, até porque a minha ideia neste blog é apontar caminhos positivos, começando por ver como positivo o que aparentemente se nos afigura como “pessimismo”.

Voltei um pouco atrás na história, porque na minha humilde opinião ainda somos todos vitimas e órfãos em simultâneo do paternalismo Salazarista, e portanto quando aparece alguém como o Dr. Medina Carreira, a invocar princípios de génese Salazarista, como o velhinho “Produzir e poupar como manda Salazar”, tem obtido (observação empírica) uma de duas reacções, ou dizem que ele dada a idade está a ficar xéxé, e aí ficamos a saber que o critico ou a critica tem origem na oligarquia que beneficia com “esta” democracia , ou então temos a reacção, da esmagadora maioria do povo, da esquerda á direita, das tendências mais católicas ás mais progressistas, que é admitir que o homem alem de dizer a verdade, tem razão. O que como sabemos é outra chatice, quando alguém consegue conjugar as duas coisas no mesmo conjunto de argumentos, porque corre o risco de se tornar inatacável, pior ainda, de fazer todo o sentido.

Pois é. Mas com tanta evidência não é difícil acreditar, no homem. Acontece porem que eu não vejo o Dr. Medina Carreira a apontar soluções objectivas, concretas e exequíveis em tempo real. E porquê? Porque ele próprio também não as tem? Ou será que não as quer avançar ? Os diagnósticos que ele faz há 30 anos também eu os faço e tenho menos alguns anos que ele, mas de diagnósticos está o País cheio, e segundo se sabe o inferno também…

Todos os que somos responsáveis ou que a dada altura tivemos que assumir responsabilidades perante a vida, sabemos, que há princípios que são válidos sempre. Já o eram antes de termos nascido, e depois de morrermos continuarão a sê-lo. No entanto a realidade em que esses princípios são aplicados é que vai mudando, logo a sua validade embora sem nunca poder ser posta em causa ganha maior ou menor importância conforme a oportunidade da sua aplicação.

Resumindo, só quando um país atinge um nível de pobreza materialmente significativo, é que as pessoas se sentem na obrigação de aplicar o conceito que eu próprio conheci á relativamente pouco tempo e que dá pelo pomposo nome de “Integridade Situacional”.

                         O que é isto?

Posto por outras palavras. É darmos sempre o nosso melhor, independentemente de todas as circunstâncias que nos rodeiam. Por outras palavras mais simples ainda. Em vez de estarmos sempre a olhar para os outros, e partindo dos erros dos outros encontrarmos a provedora justificação para os nossos, o melhor é deixarmo-nos de uma vez por todas de desculpas e começarmos a assumir cada um a nossa quota parte de responsabilidade na catástrofe financeira que nos espera, se não tivermos o discernimento e a coragem para tomar ou levar a tomar as medidas certas.

Temos de enterrar de vez os sindromas do Estado Novo, um dos quais é começarmos por admitir e aceitar com naturalidade que financeiramente foi o período áureo da história de Portugal, não encontrando paralelo, nos 867 anos da nossa história enquanto nação.
Logo se queremos aprender alguma coisa em termos financeiros, não podemos deixar de leccionar HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DE PORTUGAL, aos nossos alunos, contrariamente ao que já  fizeram os EUA, a Inglaterra, e a França se prepara para fazer...


Por outro lado e já que estamos a falar financeiramente, tive a oportunidade de ler recentemente um pequeno livro, bem escrito, de fácil leitura (como convem..), sobre aspectos financeiros domésticos, onde o autor se questionava porque é que na escola não se ensinavam os alunos a saber fazer um mero orçamento pessoal mensal ? A quem pode interessar esta ileteracia financeira? Ao mercado? Aos governantes?
Uma coisa eu sei a nós não nos interessará certamente, porque sem orientação económica e sem podermos contar a prazo com a segurança social estaremos todos condenados a uma velhice alem de solitária, mísera também, caso não aprendamos depressa a POUPAR..

Por outro lado, e pese embora o Estado Novo nos tenha deixado de herança as famosas 865 toneladas de ouro, (das quais já só nos restam 300..) não nos deixou qualquer sistema de protecção social digno desse nome.

Tudo o que foi criado, foi criado do zero, acabámos por cometer excessos, e hoje estão alguns a usufruir de direitos que os que estão a pagar não vão usufruir de certeza absoluta e todos sabemos disso.

Este sistema feudal inter geracional, só poderá ser quebrado quando tivermos a coragem de aceitar que os que mais usufruem, terão que abdicar de parte desses rendimentos em favor dos que menos ou nada usufruem, e que as pensões ilegitimamente conseguidas á custa de regimes de segurança social perversos e meramente residuais, terão de ser pura e simplesmente subtraídas do sistema.

Como dar a volta a isto ? É a questão que se impõe.

Mudando as regras, que nunca até aqui foram mudadas.

Porquê? Porque se a realidade actual e futura vai assumindo contornos negros que nunca foram assumidos no passado - pelo menos que quem está vivo se lembre - é natural que se não forem tomadas NOVAS E CRIATIVAS MEDIDAS, tratar novos problemas com velhas receitas, só irá agravar a actual situação. É o que tem acontecido até aqui, e irá continuar a acontecer. Sugerir aqui mais medidas deste tipo sabendo de antemão, que não existe a necessária coragem politica para as implementar, seria como dar “pérolas a porcos”, um desperdício de tempo e talento.

Talvez por isso o Prof. Medina Carreira, ainda não se tenha sentido motivado a avançar com sugestões mais concretas.
Quanto a mim tudo se encaminha num sentido em que cada vez mais mentes distraídas, acabarão por ficar menos distraídas, até que acabem focadas tão só na sua sobrevivência. Agora que ainda estamos a tempo de mudar o rumo do barco, parece que o vento, não é favorável.. ou somos nós que perdemos a coragem de navegar á bolina!!??


Iremos portanto aguardar serenamente que se o bom senso não sobrevier a todos, o tempo acabará por o fazer. Auguramos um óptimo futuro para o nosso país, pois se os nossos politicos não tiverem a coragem necessária para tomar as medidas correctas os nosso credores, não o deixarão de fazer, certamente.
Abençoado EURO que retiraste de mãos irresponsáveis, a eterna almofada da politica monetária.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Projecto “Limpar Portugal”

Este projecto surge de uma iniciativa ocorrida na Estónia, entre 2007 e 2008, em que apartir de uma tomada de consciência ( diagnóstico ) efectuado por um politico do partido verde, que chegou á conclusão, que o lixo acumulado nas florestas Estónias era tanto que iria demorar entre 5 a 7 anos a limpar, e o estado teria que dispender mais de 200 milhões de Euros num plano de limpeza. Com as limitações financeiras inerentes este politico decidiu então desafiar os empresários estónios mais dinâmicos para um “brainstorming” sobre o problema. Logo nesse primeiro encontro, um dos empresário de maior sucesso na Estónia, lançou a ideia de fazer a limpeza num só dia com a colaboração do maior numero de pessoas possível. Perante tamanha loucura as primeiras reacções foram de incredulidade perante tão absurda proposta.


Depois de 7 decadas sob domínio imperial soviético, e após a queda do muro de Berlim e todo o sofrimento e mudança que isso trouxe aos povos que reconquistaram a independência, aos Estónios restava pouco mais do que o sonho. Exactamente o que nos falta hoje a nós portugueses.
Pegaram então nesse capital de sofrimento acumulado, e decidiram mostrar ao mundo que quando o Homem quer e sonha, a obra nasce.

E assim foi, depois de asseguradas as condições mínimas de sucesso, decidiram então marcar um dia para a recolha de todo o lixo.

3 de Maio de 2008



Até esse dia os Estónios criaram do zero com a ajuda de algumas marcas de telemóveis, aplicações que os ajudaram a mapear e geo-referenciar os locais onde se encontrava o lixo ( lixeiras ), desenvolvendo alguma tecnologia própria para o efeito e software de apoio para o registo centralizado das mesmas. Ao longo de 1 ano e meio os voluntários foram-se alistando e no dia “L”, estiveram presentes mais de 50,000 pessoas ( aprox 3,8% da população do país ), que nesse dia recolheram das florestas 10,000 Toneladas de lixo!



Em 2009, um grupo de praticantes de todo o terreno, originários do norte de Portugal, agarraram a ideia e começaram a tentar implementá-la no terreno. Em ano de eleições não foi fácil despertar os portugueses para um movimento exclusivamente voluntário, e ainda mais relacionado com LIXO.

Em finais de Julho, princípios de Agosto e depois de algumas reuniões preparatórias da Coordenação Nacional ( CN ), decidiram dividir esta em Coordenações Distritais de um só elemento, que por sua vez criariam grupos concelhios, e os tentariam dinamizar. Fruto da falta de experiência e de algum excesso de “carolice” e “Fé” estabeleceu-se o dia “L” para;



20 de Março de 2010

Após eleições, e depois de desmobilizados os elementos mais dinâmicos da nossa sociedade o movimento ganhou um novo ímpeto, tendo os GRUPOS CONCELHIOS, de base local, segundo o qual se organiza, começado a marcarem reuniões para que as pessoas se pudessem conhecer pessoalmente e assim começarem em conjunto a delinear estratégias de aproximação ao elevado volume de tarefas a completar até ao dia “L”.

Acontece porem que ao contrário do timing estónio o timing da iniciativa lusitana coincide e sobrepõe-se no tempo á eclosão da maior crise da história da humanidade ( as presentes são sempre as maiores porque as outras já passaram..) o que faz com que uma boa parte das pessoas que entretanto se voluntariaram andem hoje mais preocupadas em sobreviver, do que propriamente em dar o seu contributo PROACTIVO ao movimento.

É portanto contra ventos e tempestades que esta nau, está a atravessar o cabo das tormentas. Justiça seja feita á esmagadora maioria dos responsáveis autárquicos e das escolas do nosso país que estão a colaborar de uma forma extraordinária  com este movimento, permitindo e de certa forma garantindo que o dia “L” seja efectivamente um sucesso.

Ao longo dos últimos meses, e face á dinâmica do movimento têem perdurado dentro do mesmo várias “teses” ou “tendências”, em que algumas pessoas defendem que estando Portugal num nível de desenvolvimento ecológico diferente da Estónia - sem qualquer espécie de desprimôr ou desconsideração para os nossos amigos Estónios, sem, os quais este movimento provavelmente nunca teria nascido em Portugal - nomeadamente no que toca aos sistemas de separação, recolha, reciclagem e tratamento do LIXO, a ambição deste movimento teria de ir alem de um dia de limpeza.

Segundo estes ambiciosos “thinkers” lusitanos este movimento terá de ir “alem da dor e passar o Bojador”, das mentalidades tacanhas, dos comportamentos egocentrados, e contribuir de uma forma categórica, continua e premente para alem do seu próprio tempo de existência. Logo, todos voluntários que se inscreveram na rede social de apoio ao movimento em http://limparportugal.ning.com , não podem nem devem limitar-se a “ficar á espera” do dia “L” para mais tarde poderem dizer aos filhos e aos netos que tambem estiveram presentes no dia em que Portugal ficou mais limpo.

Esta mole humana de mais de 22,000 voluntários ( proporcionalmente á Estónia no dia “L” deveríamos ser 400,000 ) de onde destaco os Grupos dos concelhos de LISBOA, BRAGA & SINTRA/CASCAIS com mais de 500 voluntários cada um, e que pela dimensão deveriam ser um exemplo para os restantes grupos.

Acontece que as comunidades de base rural com grupos mais pequenos e modestos revelam uma dinâmica, uma vontade, uma capacidade de organização, uma eficiência no desempenho das tarefas e uma eficácia na divulgação e prossecução dos objectivos do movimento, que me levam a pensar que a virtude humana, capacidade de sacrifício em favor do bem comum, e o Altruísmo, estão “ausentes” das grande cidades do nosso país.

Ainda assim, e após o ano novo o PLP, entrou numa nova fase e num novo ritmo, estando neste momento a multiplicar contactos a uma velocidade exponencialmente crescente, que decorre não só dos normais efeitos da curva de experiência acumulada nos últimos meses, mas tambem duma cada vez maior divulgação do movimento nos media nacionais. Ainda assim mais de 90% das pessoas limitam-se a “estar disponíveis” o que na prática, é estar disposto a ajudar desde que isso não colida com o seu quotidiano. Bem sabemos que há muitas pessoas que por diversas razões só podem mesmo estar disponíveis naquele dia, mas até lá ninguém pode assegurar que todo o trabalho necessário de mapeamento de lixeiras, divulgação nas escolas, ou de divulgação de novas formas de reciclagem ou ponto de recolha de produtos recicláveis são suficientemente divulgados para que após o dia “L”, os portugueses tenham efectivamente conseguido alcançar um SALTO QUALITATIVO na sua relação com o LIXO que produzem.

Por agora fico por aqui , mas prometo divulgar neste blog algumas estatísticas sobre a QUANTIDADE DE LIXO que todos produzimos e os custos inerentes á RECOLHA, RECICLAGEM & TRATAMENTO do mesmo. São MILHÕES DE EUROS por ano que podiam ser redireccionados para outras necessidades.



Registo de Lixeiras: http://www.3rdblock.net/


Só há dois tipos de Lixo: O Biodegradável e o Biodesagradável!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Plano estratégico da Industria do Calçado 2007-2013



Nos últimos anos, o sector português de calçado protagoniza uma relativamente desconhecida história de grande sucesso. A revolução aconteceu quando a indústria se viu confrontada com a saída massiva das grandes empresas internacionais de calçado como resultado das profundas alterações do mercado mundial, nomeadamente a queda das últimas barreiras ao comércio e a afirmação de grandes países produtores como a China.

Ao contrário do que poderia ter acontecido, os produtores nacionais de calçado reagiram. Reequiparam tecnologicamente as suas empresas, orientaram-se para segmentos de mercado de maior valor acrescentado (Portugal apresenta uma forte especialização no segmento do calçado de couro e, dentro deste, no calçado para senhora, segmentos tendencialmente de maior valor acrescentado) e, em vez de aceitarem ser meros replicadores de modelos concebidos por quem os subcontratava, muitos deles criaram as suas próprias marcas.


Outros indicadores significativos: o valor bruto da produção por trabalhador ultrapassou pela primeira vez em 2008 os 37 mil euros; do total da produção, 96% são exportados; e também pela primeira vez no ano passado, o preço médio por par de calçado exportado atingiu a casa dos 20 euros, o que situa Portugal entre os exportadores que conseguem cobrar preços mais elevados a nível mundial. Além disso, o sector apresenta a mais alta taxa de cobertura das importações pelas exportações de toda a indústria nacional.

Como se chegou aqui? Pois, pasme-se, através do Plano Estratégico da Indústria do Calçado 2007/13, um documento que teve contributos da APICCAPS, do tecido empresarial e de agentes privados e públicos. Que foi levado à prática e resultou. Não é espantoso e exemplar que tal tenha sido possível?

in "EXPRESSO-ONLINE", Nicolau Santos,

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Responsabilidade & Participação Civica.


Com a entrada em funcionamento do serviço web: Na Minha Rua! , os cidadãos de Lisboa, deixaram de se poder desculpar, por não conseguirem aceder ou comunicar com os serviços da Camara.
Com este novo serviço a CML, evoluiu para um novo patamar de existência, deixando definitivamente o paradigma dos ultimos 35 anos em que o cidadão só existia na exacta medida em que isso interessava ou legitimava a existência das instituições publicas, e entrou finalmente num novo paradigma ( novo em Portugal..) em que o onus se inverte e a existência das instituições públicas só se justifica na exacta medida em que servem o cidadão.

Ao assumir este desafio a CML, expõe-se assim ao cidadão, e coloca a pressão deste directamente sobre os serviços da camara delegando assim no cidadão a responsabilidade de se obrigar a ser devidamente servido, em alternativa á responsabilização por parte dos orgãos directivos da CML, que assumem finalmente aquela que deve ser a sua função primordial, o  PLANEAMENTO ESTRATÉGICO do crescimento da cidade.

Congratulo por isso todos os responsáveis (actuais e passados) pela implementação deste serviço, sem duvida muito util ao cidadão.

Só falta agora a CML, ter capacidade de resposta e não tornar mais esta tentativa de pôr as coisas a funcionar num dos habituais FLOPS a que nos habituámos ( mal ).

Vamos usá-lo, intensamente!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

No deserto já pode nascer uma floresta

O empresário e inventor holandês Pieter Hoff criou o WaterBoxx que já conquistou o famoso prémio de inovação tecnológica Beta Dragons Award, no valor de 10.000 euros. A razão? Este aparelho faz com que as árvores cresçam em condições consideradas "complexas", pois proporciona-lhes água suficiente que recolhe do próprio ar. As árvores podem crescer em zonas áridas, mas não podem germinar. WaterBoxx proporciona-lhes, no fundo, e segundo o seu criador, "um início em que se possam basear".

Desta forma, e segundo as últimas experiências no deserto do Sahara, pode-se conseguir alcançar a reflorestação do deserto e de áreas mais rochosas nos próximos anos. WaterBoxx é uma espécie de cubo de plástico, com um buraco no centro que permite plantar uma árvore no solo. O sofisticado desenho da parte superior filtra a água da condensação nocturna.Com a água das chuvas ocasionais, a água é distribuída em pequenas doses para o interior da árvore.

O WaterBoxx evita que a água das camadas superiores evapore, protegendo as raízes do sol, vento e roedores. Depois de um ano, a árvores fica suficientemente forte para crescer por si mesmas e o WaterBoxx pode ser finalmente retirado. Recentemente foi realizada uma experiência no Sahara, verificando-se que 90% das árvores plantadas com o Waterboxx sobreviveram sãs durante muitos meses, mesmo com condições climatéricas adversas. Hoff está convencido de que, se forem plantadas as espécies adequadas, podia-se reflorestar grande parte do planeta sem sacrificar a terra. Hoff declarou: "Se reflorestarmos 2.000 milhões de hectares, as árvores vão consumir mais CO2 o que o homem produz e o problema do CO2 pode ser assim resolvido".


WaterBoxx já está disponível para venda desde 1 de julho de 2009.
fonte: tvnet.sapo.pt/noticias

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Economia Global - Europa - Euro - Portugal

Na plêiade de países em risco de entrar em «default» ( falha nos pagamentos da divida externa = bancarrota ), Portugal - pasme-se!! - não está entre os primeiros 10.


Reino-Unido, Grécia, EUA, Irlanda, Argentina, Espanha, Turquia, Dubai, Japão,  lideram neste momento este ranking.

O Reino-unido comanda distanciadamente este ranking, pois congrega várias condicionantes que empurram aceleradamente este país para um estado de bancarrota. A Libra tem vindo a deslizar face ao Euro, prevendo-se que atinja muito em breve a paridade 1 Libra = 1 Euro, ou até mesmo uma cotação inferior ao Euro. Soluções possíveis, prováveis?: Fim da Libra, adesão ao Euro, intervenção indirecta do BCE, a curto prazo, se não for antes o FMI.

A Grécia, está neste momento confrontada com uma divida externa que já supera o valor anual do PIB, e prevê-se que fechará 2009 com um défice do orçamento de estado próximo dos 15% (!!??), de resto valor muito idêntico ao do Reino-Unido. Solução possível, provável; Saída do EURO, ou intervenção indirecta do BCE, no curto prazo.

Os EUA, continuam a usufruir da Dolarização da economia mundial, especialmente das reservas dos BRICs ( Brasil, Rússia, Índia & China )estarem tituladas em USD., veremos por quanto tempo maís - A índia adquiriu recentemente 200 toneladas de ouro, tendo-nos finalmente ultrapassado e relegado agora para a 13ª posição mundial em reservas de ouro ( 7º em 1973 - 865T ), com as nossas actuais 382,5 Ton, ( a nossa vizinha Espanha tem menos 100 Ton).*


No entanto a velocidade de endividamento do estado norte americano e o actual recurso ( único ) á emissão de moeda, empurrará o dólar muito em breve para uma cotação inferior a 2 USD = 1 Euro. ( O que será das exportações Europeias ?? ) Soluções possíveis; Forte redução das despesas do estado nomeadamente as despesas militares.

Sem a disciplina imposta pelo pacto de estabilidade que está na base do Euro, Portugal seria hoje um país falido, sem qualquer credibilidade nos mercados internacionais e portanto sem crédito. Com despesas sociais a absorverem anualmente 80% das despesas correntes do orçamento de estado, tentem agora imaginar em que situação económica e social nos encontraríamos?

* As nossas reservas de ouro, não chegam hoje para assumir mais do que 5% da nossa divida externa ( em 1973 , não havia divida externa de monta, excepto o plano de financiamento da Ponte sobre o Tejo ).